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O que os imigrantes pensam de nós?

Mundo

MASAIUKY KONDO, JAPÃO

«As ideias dos Portugueses, o modo de ser, o sentimento de família não são muito diferentes dos Japoneses. São muito simpáticos e para beber é fácil … Mas para trabalhar é complicado.»
– Porquê?
«Organização. Os Japoneses chegam 15 minutos antes, os Portugueses chegam 35 minutos, uma hora depois. Aqui é tudo “mais ou menos”: as horas são mais ou menos, o trabalho é mais ou menos, o pagamento é mais ou menos. Se me atraso a pagar nas finanças, tenho de pagar uma multa, mas se se atrasam no meu pagamento, ninguém me paga uma multa.»

ULLA, DINAMARCA

Ulla precisa de consultar um médico. E agora?
«Na Dinamarca, eu sei onde as coisas estão, conheço o meu médico, tudo está estruturado, talvez demasiado estruturado.» Em Portugal, onde vive desde Março de 2006, ainda não sabe onde cada coisa se encontra. «Aqui, um amigo a quem conto a história conta a outro amigo e em dez minutos arranjam-me uma consulta com um médico conhecido.»

«O modo como as pessoas se organizam é muito diferente do que eu conhecia. Por exemplo, ninguém se apresenta a si próprio. Em Portugal, se queremos conhecer uma pessoa, pedimos a alguém comum que nos apresente. Apresentarmo-nos a nós próprios é tido por fraqueza ou dependência; quando para mim é expressão do contrário».

«Quando eu tento falar em português, as pessoas ficam imediatamente mais disponíveis, abertas, tentam fazer-se entender.»

«Este país não é um sítio agradável para se morar quando não se tem dinheiro. Se não tivesse dinheiro, não viveria cá».

«Os hábitos de trabalho dos Portugueses são incompreensíveis para mim. Como podem ir para casa às dez da noite? Não têm tempo para a família ou para fazer ginástica …»

E também não compreende como é que as pessoas não fazem o seu melhor. «Se podem fazer melhor, porque não fazem? E quando são responsabilizados, a culpa é sempre de outro… Mas nem quero ir por aí … Estou a dar uma imagem muito negativa do país?»

SIMON, INGLATERRA

Um inglês que vive há 11 anos no nosso país conhece bem a impontualidade portuguesa. «Agora, estou habituado aos pequenos atrasos… Já conheço o “quarto de hora português”…» Quinze minutos é o atraso normal a uma reunião de trabalho. Mas se o encontro for com amigos num bar, pode ser de uma hora!, diz-lhe a experiência.

«Quando me mudei para Portugal, logo na primeira semana a cidade foi-me muito confortável. Senti-me bem a andar nas ruas, comer, fazer as coisas simples. Antes, tinha vivido em França. Sentia-me sozinho, parecia-me que as pessoas não queriam falar comigo. Não gostei da experiência. Aqui, ao contrário, nas lojas, numa situação banal, estão interessados em conversar, fazem perguntas sobre Inglaterra, querem saber se gosto da comida, ficam contentes quando digo que gosto do país.»

As pessoas são simpáticas: essa é a primeira impressão. «A simpatia é um traço dominante. Outro é a ideia de já não serem grandes, como foram, de não terem influência, como tem a Inglaterra ou os Estados Unidos. Acham-se menos importantes do que na verdade são.»

«Só uma vez me senti descriminado. O taxista estava a tentar fazer mais quilómetros e eu disse que sabia muito bem o caminho para minha casa, que não era aquele. Expliquei que não era turista e que vivia em Lisboa. Então, ele foi muito desagradável e disse: “Volta para a tua terra.”

LUYDMILLA, UCRÂNIA

«Ah, nunca tinha visto palmeiras, há tantas árvores diferentes das árvores da minha terra …»

– O que penso dos Portugueses?
«São bons. Quando cheguei, não sabia dizer uma palavra. Além de me darem trabalho, ensinaram-me a falar português. São bem-educados e têm paciência: dizem o que fazer e explicam como fazer. Ou como se vai para um sítio. Se uma pessoa quiser trabalhar, ajudam-nos.»

«Aqui a vida é melhor do que lá, a gente ganha melhor, a cidade de Lisboa é muito bonita.» Só não percebe por que razão as pessoas que têm dinheiro vão passar o resto dos dias num lar. «Lá, vai para o lar quem não tem família. Cá, porque é que os filhos não cuidam dos pais?»

PAULA RIBEIRO, BRASIL

«Eu amo Portugal! Posso dizer isso porque escolhi vir para cá.»

«É uma relação que conhece altos e baixos, muitas vezes por culpa dos próprios brasileiros e do seu comportamento. Há um brasilien way of life que é preciso tratar quando se está noutro país.»

«O segundo mundo é aqui. Todo o mundo fala do primeiro e do terceiro mundo. Portugal tem todas as qualidades de um e de outro. A oferta cultural hoje disponível é incomparável – dantes, as exposições ou espectáculos só chegavam a Madrid. A posição geográfica é privilegiada. Não consigo olhar o país como os Portugueses o fazem. Onde só vêem um país iletrado, eu vejo um país que publica poesia como nenhum outro na Europa.»

«Como diz o António Alçada Baptista, “Portugal é um bonsai: pequenino, mas com raízes enormes”».

O grande defeito que encontra no país é o de ser tão mal amado pelos Portugueses. «Há um exercício constante de mal dizer.

in Selecções Reader´s Digest Portugal – Revista