O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla inglesa), um grupo científico criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou as conclusões do quarto relatório, traçando um futuro pessimista do planeta, que deverá aquecer entre 1,8 e 4 graus até 2100, devendo o nível das marés subir até 58 centímetros, multiplicando secas e vagas de calor.
Segundo uma síntese do relatório, intitulada “Resumo à Atenção dos Decisores”, o aumento da temperatura global será muito diferenciado conforme as regiões, podendo ser multiplicada por dois nos pólos, por exemplo.
A subida dos termómetros fará subir também o nível dos mares entre 18 e 59 centímetros e estará na origem de múltiplos fenómenos extremos, como vagas de calor, episódios de seca e precipitações intensas cada vez mais frequentes que poderão provocar a deslocação de cerca de 200 milhões de refugiados climáticos daqui até ao fim do século.
O aquecimento será maior nos continentes do que nos oceanos e nas latitudes norte, e menor no sul e em partes do Atlântico norte.
As concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, sublinham os especialistas, nunca foram tão elevadas desde há 650.000 anos. O aquecimento previsto reduzirá a cobertura de neve e as calotes polare s, e não se exclui a possibilidade de o gelo do Pólo Norte se derreter completamente em finais do século.
Só para ter a noção, o total degelo das grandes placas de gelo existentes na Antártida e na Gronelândia levaria a um aumento do nível dos oceanos de cerca de 65 metros em relação aos níveis registrados actualmente.
Leia abaixo algumas das consequências previstas para os diferentes níveis de aumento da temperatura, conforme dados apresentados no relatório sobre mudanças climáticas assinado por Nicholas Stern, economista chefe do governo britânico, e divulgado em Outubro, segundo «O Globo Online».
Os impactos da elevação da temperatura global em 1 GRAU:
- Redução das placas de gelo ameaçando o abastecimento de água para 50 milhões de pessoas
- Pequeno aumento na produção de cereais nas regiões temperadas
- Pelo menos 300 mil pessoas morrem a cada ano devido à malária, à desnutrição e a outras doenças relacionadas com as alterações climáticas
- Queda da taxa de mortalidade durante o Inverno nas regiões de maior latitude
- Morte de 80% dos recifes de corais, especialmente a Grande Barreira de Corais
Em 2 GRAUS:
- Queda de 5% a 10% na produção de cereais na África tropical
- 40 milhões a 60 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África
- Até 10 milhões de pessoas a mais expostas a inundações nas regiões costeiras
- Entre 15% e 40% das espécies de seres vivos vêem-se ameaçadas de extinção
- Grande risco de extinção de espécies no Árctico, em especial dos ursos polares
- Possibilidade de que a camada de gelo da Gronelândia comece a derreter de forma irreversível, o que faria com que o nível dos oceanos subisse 7 metros
Em 3 GRAUS:
- No sul da Europa, períodos de seca pronunciada a cada dez anos
- Entre 1 bilhão e 4 bilhões de pessoas a mais sofrem de falta de água
- Entre 150 milhões e 550 milhões de pessoas a mais expostas à ameaça da fome
- Entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas a mais morrem de desnutrição
- Início do colapso da floresta Amazónica
- Elevação do risco de colapso da Camada de Gelo da Antártida Ocidental
- Elevação do risco de colapso do Sistema do Atlântico de águas quentes
- Elevação do risco de mudanças abruptas no mecanismo das monções
Em 4 GRAUS:
- Colheitas de produtos agrícolas diminuem entre 15% e 35% na África
- Até 80 milhões de pessoas a mais expostas à malária na África
Em 5 GRAUS:
- Provável desaparecimento de grandes placas de gelo no Himalaias, prejudicando um quarto da população da China e uma grande parte dos moradores da Índia
- Crescente intensificação da actividade oceânica, prejudicando seriamente os ecossistemas marinhos e, provavelmente, as populações de peixe
- Elevação do nível dos oceanos ameaça as pequenas ilhas, as áreas costeiras como o Estado da Florida e grandes cidades como Nova York, Londres e Tóquio.
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