Aquaplaning nas Estradas Portuguesas – Verificação de Segurança à Hidroplanagem

4 anos ago by in Engenharia, Vias de Comunicação
SEGURANÇA NA ESTRADA

Num estudo intitulado «O PERIGO GRAVE DE HIDROPLANAGEM NAS ESTRADAS PORTUGUESAS FORMULAÇÃO DE CÁLCULO E PROPOSTAS PARA RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS», publicado na revista técnica da secção Norte da ANET, o Observatório de Segurança de Estradas e Cidades (OSEC), realça que os alunos de engenharia “não aprendem a calcular a Velocidade Crítica de Hidroplanagem”, a partir da qual ocorre o “aquaplanig”, destaca a edição online do Jornal de Notícias.

O QUE A HIDROPLANAGEM (AQUAPLANAGEM OU HYDROPLANING OU AQUAPLANING)

Quando os pneus do veículo se deslocam sobre pavimento molhado, com a presença de lâmina de água acima das asperezas do pavimento, desenvolvem-se pressões hidrodinâmicas na área de contacto do pneu com o pavimento que resultam da dificuldade, do pneu e da estrada, não conseguirem expulsar toda a água pisada pelo pneu. Esta área de água sob o pneu que, pela rapidez do movimento, não conseguiu ser expulsa debaixo do pneu, vai dificultar o contacto entre o pneu e o pavimento.

Com o aumento da velocidade do veículo, a área pisada pelo pneu, e que não consegue ser expulsa debaixo do pneu, vai sendo cada vez maior até que, para um ligeiro aumento de velocidade, a área de contacto pneu-pavimento está toda contaminada com uma lâmina de água, e os pneus perdem o contacto com o pavimento, ocorrendo a hidroplanagem total com a perda do domnio da direção do veculo, situação que corresponde a perigo concreto para a vida dos utentes da estrada. Esta é a Velocidade Crtica de Hidroplanagem, a partir da qual ocorre a hidroplanagem total.

O cálculo da velocidade a que ocorre o fenómeno da hidroplanagem (termo técnico vulgarmente conhecido como “aquaplaning”) resulta do cruzamento de vários dados, entre os quais está a macrotextura do pavimento (avaliada pelo ensaio da mancha de areia que é expressa em altura de areia), a intensidade da chuva e o comprimento das linhas de água que escorrem no pavimento.

Quanto mais salientes estiverem os agregados do pavimento (o que corresponde a um pavimento com maior macrorugosidade ou maior Altura de Areia) maior será o comprimento em que a água circulará entre os agregados, sem os cobrir e, por isso, tanto maior será a extensão de pavimento que garante a segurança contra a hidroplanagem.

A macrorrugosidade do pavimento mede-se através do ensaio da mancha de areia. Tomando um determinado volume de areia calibrada fina, verte-se sobre o pavimento e, com recurso a uma peça simples, vai-se espalhando gradualmente em movimentos circulares até não se conseguir aumentar mais a mancha de areia. A areia vai entrando nas cavidades do pavimento. Mede-se o diâmetro da mancha de areia, e sabendo o volume inicial, é possível calcular a espessura média da mancha de areia, e é este o valor utilizado. Actualmente, existem aparelhos para medir a macrorrugosidade do pavimento de forma contínua, em grandes extensões e rapidamente.

Estradas portuguesas têm risco elevado de “aquaplaning”

Já no passado o Observatório de Segurança de Estradas e Cidades (OSEC) alertou para o facto que «A rede rodoviária nacional não garante a segurança contra o aquaplaning. O problema está na má drenagem do pavimento, em particular nas zonas de proximidade das curvas, que permite o “aquaplaning” – perda de controlo da direcção do veículo – a partir de 80 quilómetros por hora mesmo com chuvadas fracas.»

O fenómeno da hidroplanagem (termo técnico vulgarmente conhecido como “aquaplaning”) tem merecido a atenção de Francisco Salpico, engenheiro, membro do OSEC, que tem realizado peritagens de acidentes para tribunais.

“A nossa rede viária não garante a segurança contra a hidroplanagem”, conclui Francisco Salpico, acrescentando que a situação “é mais grave nas auto-estradas onde se praticam velocidades mais elevadas”.

O especialista do OSEC baseia-se na metodologia de investigação experimental de especialistas norte-americanos. De acordo com essas contas, o risco de um condutor perder o domínio da direcção do veículo existe em velocidades a partir de 80 quilómetros por hora, num pavimento com 0,6 milímetros (mm) de altura de areia, com uma chuvada de 5 milímetros/hora, considerada uma precipitação fraca.

Desde a sua fundação, em 2004, o OSEC já apresentou queixas-crime sobre o IP3 (Viseu), o Eixo Norte-Sul (Avenida Padre Cruz-Ponte 25 de Abril) e a Estrada Nacional 10 (Setúbal-Coina).

EP e Concessionárias condenadas a pagar prejuízos provocados por acidentes rodoviários

Pode não saber, mas são diversos os casos em que a Estradas de Portugal ou as concessionárias das Auto-estradas são condenadas a pagar prejuízos provocados por acidentes rodoviários que ocorrem nas suas estradas e, consequentemente, onde têm que manter as condições necessárias para a circulação em segurança por parte dos utentes.  Saiba de alguns casos aqui.

One Response to “Aquaplaning nas Estradas Portuguesas – Verificação de Segurança à Hidroplanagem”


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