Lisboa a afundar-se… Revela estudo do LNEC e IST

8 anos ago by in Engenharia, Geotecnia

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«duas zonas da Grande Lisboa – uma perto da estação de metro das Laranjeiras, na capital, e outra na vila de Vialonga (Vila Franca de Xira) – estão a afundar-se alguns milímetros por ano»

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Conforme destaca a edição online do Público, «embora não seja grave por agora, o fenómeno pode vir a ter consequências como danos nas casas, em esgotos, linhas de abastecimento de água, electricidade e gás, estradas e caminhos-de-ferro», destaca Sandra Heleno, geofísica do IST e primeira autora do artigo o artigo «Persistent Scatterers Interferometry detects and measures ground subsidence in Lisbon», publicado na revista Remote Sensing of Environment, resultante de um estudo de cooperação internacional, com a participação do Instituto Superior Técnico (IST), do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Altamira-Information e Tele-Rilevamento Europa — TRE.

 

É a primeira vez que o afundamento do solo – ou subsidência – é detectado numa zona urbana em Portugal, escreve a equipa de cientistas na edição online da revista Remote Sensing of Environment.

Os dados indicam que é na zona de Vialonga – por onde passam as duas principais ligações terrestres entre Lisboa e o Porto, a Auto-Estrada n.º 1 (A1) e a Linha do Norte da CP – que o afundamento tem sido mais intenso. Dentro da zona afectada ficam as portagens da A1 em Alverca.

Entre 1992 e 2003, o solo afundou-se, em média, 13 milímetros por ano em Vialonga – o que dá cerca de 15 centímetros nesses 11 anos, na parte mais afectada. Outros dados para Vialonga indicam que a velocidade do fenómeno, entre 1992 e 2006, foi de nove milímetros por ano, em média – o que significa que, nesses 14 anos, a zona se afundou cerca de 13 centímetros.

 

“Como era uma situação com impacto, levámos mais tempo a confirmar”, conta Sandra Heleno, “só quando estávamos convencidos de que a subsidência estava mesmo a acontecer é que publicámos [os resultados].”

“O facto de Vialonga ser uma zona atravessada por linhas importantes, como a auto-estrada e a ferrovia, e por ser mais próxima do Tejo, em que o risco de inundações pode agravar-se com a subsidência, mostra como é importante dar atenção ao problema”, diz Sandra Heleno.

 

Desconhece-se a razão por que Lisboa está, naquela zona, a abater mais lentamente, tal como se desconhece sequer a causa do fenómeno em si. A hipótese de que as construções estariam na origem do problema, provocando a compactação das camadas superficiais do terreno, não foi confirmada. “Não encontrámos uma relação entre a evolução da construção desde o início dos anos de 1980 e a subsidência.”A hipótese da exploração excessiva das águas subterrâneas vai agora ser estudada no caso da capital – “embora seja menos provável, por não ser uma zona industrial”, diz a geofísica.

Afundamento cárstico que provocou cratera de 60m de profundidade e 20m de diâmetro. Guatemala 2007.

 

Tanto em Lisboa como em Vialonga, a área total afectada anda à volta de seis quilómetros quadrados (à volta de 800 campos de futebol). “Estas zonas têm de ser monitorizadas, agora que não temos qualquer dúvida de que há subsidência.”

 

O LNEC considerou vários cenários para evitar o agravamento do problema. “Um dos cenários era a paragem completa da extracção de água na zona de Vialonga em 2010. Haveria um abrandamento da subsidência em 2015”, refere Sandra Heleno.

O problema na Grande Lisboa junta-se assim ao de outros casos mundiais, como Las Vegas, Los Angeles, Seattle ou Bolonha. O mais paradigmático é o da Cidade do México, que se afunda quase meio metro por ano.

Público.pt Online

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