Aqueduto das Águas Livres

7 anos ago by in Arquitectura, Engenharia, Hidráulica, Obras emblemáticas
Aqueduto das Águas Livres - Lisboa

O Aqueduto das Águas Livres – também conhecido por Aqueduto de Alcântara – foi mandado construir por D. João V em 1731 para resolver os graves problemas de abastecimento de água com que Lisboa se confrontava, encontrando-se classificado como Monumento Nacional desde 2002. Até meados do século XVIII, «a cidade contava, nessa data, com cerca de 80.000 habitantes e apenas 560 m3 de água, o que correspondia a 7 litros por habitante.»

Desde o início da sua construção até à chegada a Lisboa em 1748, contou com a participação de famosos arquitetos e engenheiros militares da época, nomeadamente António Cannevari (italiano), Azevedo Fortes, Silva Pais, Manuel da MaiaCustódio Vieira (autor da arcaria sobre o vale de Alcântara) e Carlos Mardel (húngaro).

Manuel da Maia e Carlos Mardel haveriam de ter, após o terramoto de 1755, um papel crucial na reconstrução da Baixa Pombalina.

SABIA QUE: «A expressão “rés-vés Campo de Ourique” remonta a 1755 quando o terramoto assolou Lisboa tendo destruído a cidade até à zona de Campo de Ourique, que ficou intacta. A partir daí o ditado generalizou-se.»

O Aqueduto entrou em funcionamento em 1748 e só foi retirado do sistema de abastecimento de água a Lisboa em 1967.

A construção, na época, explorava apenas as águas altas, que poderiam ser conduzidas por gravidade, razão pela qual o Aqueduto, exigiu um planeamento intensivo, tanto do traçado como das diversas obras a efectuar. A escolha do traçado esteve condicionada pela diferença de cotas da nascente até ao ponto de chegada, «diferença que não podia ser tão insignificante que tornasse a corrente vagarosa (facilitando a formação de depósitos que a obstruiriam) nem demasiado acentuada (porque, intensificando a corrente, daria origem à degradação dos materiais de construção e produziria desgaste e ruínas).»

«O complexo arquitetónico atravessa imperturbavelmente paisagens agrícolas remanescentes e núcleos urbanos de altíssima densidade passando por zonas periféricas “difusas” onde desaparece a tradicional dicotomia cidade/campo. Na última parte do seu percurso, atravessa o parque florestal de Monsanto e surge no Vale de Alcântara com a sua imagem mais emblemática antes de inserir-se no centro de Lisboa para concluir um percurso complexo e curioso através das evoluções da cidade contemporânea.»

As obras do Aqueduto, que duraram 103 anos, tiveram um «custo final foi de 5.227.213$000» e foram, em parte, custeadas pelo povo da capital, sobre o qual foi lançado um imposto adicional «em 1729, o imposto do “real de água”, que rendia 300 000 cruzados anuais» sobre o preço da carne, azeite, sal e do vinho.

Com um comprimento total de «18.605 metros, desde o Olival de Santíssimo, a norte de Caneças, até à Casa das Águas nas Amoreiras; posteriormente juntaram-se-lhe ramais modernos e as galerias de distribuição à cidade, perfazendo um total de 59.650 metros (a parte aérea composta por 109 arcos de cantaria, tendo todo o cano abobadado 137 clarabóias)», clarabóias essas que serviam para ventilar os canais.

A arcaria sobre a ribeira de Alcântara, tem uma extensão de 941 metros e é constituída por 35 arcos, dos quais 21 são em volta perfeita e 14 (ao centro) de perfil quebrado. O arco mais alto mede 65 metros de altura e dista 29 metros entre pegões, o que o torna o maior arco em pedra construído em todo o mundo.

Ao que parece, a existência de um arco quebrado mais largo que todos os restantes, foi motivada pela existência de uma falha sísmica e, recorde-se que, o Aqueduto das Águas Livres «resistiu ao terramoto de 1775, não só pela solidez da sua construção – toda talhada em cantaria e ferro nos seus arcos – mas também por assentar em alicerces sobre calcários do Cretácico Superior».

SABIA QUE: «Era desta altura também que o célebre assassino Diogo Alves atirava as suas vítimas, depois de as assaltar. Entre 1836 e 1839, houve tantas mortes – entre 30 a 40 pessoas terão morrido – que se chegou a pensar ser uma vaga de suicídios. Como o aqueduto servia de passagem pedonal para atravessar a cidade, o assassino escondia-se nas galerias e atacava. Diogo Alves só foi, porém, apanhado em 1840, por um outro crime, que decorreu durante um assalto à casa de um médico. Foi, por isso, sentenciado à forca, tendo sido o último condenado à morte em Portugal. Diante de tanta malvadez, os especialistas da época resolveram decepar-lhe a cabeça para a estudar e, ainda hoje, ela está conservada, num recipiente de vidro, no Museu de Medicina da Universidade de Lisboa.»

 

Mais informação:

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