Aderência em pavimentos rodoviários – Microtextura e Macrotextura

10 anos ago by in Engenharia, Vias de Comunicação
SEGURANÇA NA ESTRADA

«A aderência da camada superficial dum pavimento rodoviário corresponde à sua capacidade para mobilizar o atrito entre os pneus dos veículos e o pavimento. Aquela característica do pavimento assume maior importância em situações de travagem, aceleração e circulação em curva.»

«A textura da superfície de rolamento desempenha um papel central na existência de boas condições de atrito.

 

A microtextura, isto é, a aspereza superficial das partículas de agregado visíveis à superfície, contribui para a interpenetração das superfícies em contacto (pneu / pavimento), mobilizando a principal componente da aderência (atrito por adesão) para velocidades de circulação médias e baixas. Rochas pouco resistentes ao polimento, como são geralmente os calcários que abundam nesta região, conduzem a camadas de desgaste com fraca microtextura e, por isso, com medíocres características de atrito, mesmo a baixas velocidades e com tempo seco. Estas deficientes condições de atrito podem explicar alguns dos acidentes com mortos e feridos graves que ocorrem, por exemplo, em meio urbano.

 

A profundidade da textura superficial, designada por macrotextura, pode descrever-se como a saliência média dos agregados rochosos relativamente à superfície geral do pavimento. Em conjunto com a geometria do rasto do pneu, a macrotextura do pavimento facilita o escoamento da água quando chove. Este efeito reduz a espessura da lâmina líquida sob o pneu e reduz o risco de hidroplanagem. Quando mais elevada for a velocidade de circulação, maior é o risco de perda de aderência (o CAL pode reduzir-se mais de 60% quando a velocidade passa de 40 para 120 km/h).

 

Quando a superfície do pavimento está húmida ou molhada, mesmo que não haja condições para hidroplanagem, a aderência diminui, por vezes de forma acentuada (este fenómeno é muito ampliado pela falta de microtextura no pavimento).

 

É conhecido que as primeiras gotas de chuva, após um longo período seco, tornam as estadas muito escorregadias por causa do aparecimento duma pasta fluída superficial muito fina, constituída por partículas soltas que se acumulam no pavimento. Nestas circunstâncias, as condições de aderência proporcionadas são as mais fracas que um dado pavimento pode apresentar.

 

Quando o pavimento está seco, as condições de aderência são geralmente boas. Todavia, na nossa rede rodoviária nacional, e nas redes municipais, mesmo em pavimentos relativamente novos, há número significativo de situações em que o atrito é medíocre. Este problema torna-se mais grave porquanto o condutor não se apercebe da deficiência do pavimento, pelo que não toma as medidas adequadas face às condições da via.

 

Além disso, a acumulação de água motivada por deficientes condições de drenagem da estrada é, muitas vezes, impossível de detectar pelo condutor a tempo de evitar o acidente.»

 

in engenhocas N.º 23

texto de Silvino Capitão,
Professor Adjunto do DEC-ISEC

One Response to “Aderência em pavimentos rodoviários – Microtextura e Macrotextura”


Tiago Cunha
26/06/2007 Responder

Quando se refere no texto o calcário como um agregado que tem pouca resistência ao polimento, convém acrescentar que recorrendo ao ensaio do Polimento Acelerado as amostras de calcário apresentam um valor de coeficiente de polimento inferior ao exigido no Caderno de Encargos da Estradas de Portugal, sendo por isso inconveniente a sua utilização numa camada de desgaste.

Um pormenor que não está nesse texto assim como na generalidade dos textos sobre o assunto é que ocorrem mais acidentes em condições de piso seco do que em condições de piso molhado.

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