Casa da Música

A Casa da Música de Rem Koolhaas

O projecto inicial de engenharia foi levado a cabo por uma equipa formada pela empresa de consultadoria ARUP, sedeada em Londres, e pela AFAssociados.

O projecto Casa da Música foi definido em 1999, como resultado de um concurso internacional de arquitectura que escolheu a solução apresentada por Rem Koolhaas – Office for Metropolitan Architecture. As escavações iniciaram-se ainda em 1999, no espaço da antiga Remise do Porto na Rotunda da Boavista, e a Casa da Música foi inaugurada na primavera de 2005, no dia 15 de Abril.

Numa entrevista ao JN, Rem Koolhaas, respondeu a uma questão curiosa «Há uma história à volta do projecto que começa a adquirir contornos de lenda. O projecto inicial da Casa da Música foi adaptado de um projecto de uma habitação que estava a desenhar para um casal divorciado? 
É verdade. Mas não era um casal divorciado; era um casal que poderia, eventualmente, divorciar-se. Davam-se mal e disseram-me que, no tempo que levaria do projecto à construção da casa, eles poderiam chegar ao fim já divorciados. Era um projecto muito particular. O homem queria a casa mas impôs três definições negativas: odiava confusões e por isso queria uma casa com muitos arrumos; queria um edifício onde todos pudessem ter uma vida independente; e, por último, era um homem que odiava todo o tipo de tecnologia e queria uma casa simples.»

Em 2007 foi atribuído à Casa da Música o prémio do Instituto Real dos Arquitectos Britânicos (RIBA), com o júri a classificar o edifício de “intrigante, inquietante e dinâmico”.

Arquitectura e Projecto de ‘A Casa da Música’

Pela originalidade da sua volumetria e forma, a Casa da Música tem sido aproximada a um meteorito. Um meteorito também pelo impacto que a sua chegada comporta para a vida cultural da cidade e do país, ao provocar um choque inovador não apenas no panorama musical, quanto no arquitectónico.

A ideia inicial pressupunha um Edifício “translúcido” com uma estrutura metálica. Razões de custo e a perda do efeito de transparência a que a densidade de elementos estruturais inevitavelmente obrigaria, levaram à opção pelo betão branco. Embora agradasse claramente a Rem Koolhaas, o betão branco só não tinha sido proposto inicialmente por não ser um material comum nos países do Norte da Europa, onde é já difícil encontrar mão-de-obra qualificada para trabalhar com qualidade em betão aparente.

Em termos de estruturas, para além de haver que garantir a estabilidade global do Edifício, merecem destaque as seguintes preocupações fundamentais:

  • encontrar um conjunto de elementos estruturais, integrados na Arquitectura, que assegurassem a transmissão das cargas à fundação. A complexidade geométrica do Edifício, em particular na zona Norte, não tornava esta tarefa fácil, obrigando à consideração de um complicado sistema de transferência de cargas, através do aproveitamento estrutural de grande parte das paredes;
  • conseguir um elevado rigor de pormenorização que permitisse definir a geometria do Edifício e dos seus elementos estruturais, caracterizando com rigor as aberturas e courettes destinadas às instalações. Tratando-se de um Edifício em betão branco aparente, muitas das infra-estruturas encontram-se embebidas no próprio betão, obrigando a que o rigor da pormenorização se aplicasse igualmente a estas instalações;
  • o estabelecimento de um faseamento construtivo e um sistema de escoramento compatível com os prazos da obra e as preferências do construtor;
  • o controlo da fissuração superficial, dada a sua importância na durabilidade de um Edifício em betão branco aparente;
  • a garantia de qualidade da execução da obra, através da realização de protótipos que permitissem testar materiais e metodologias de trabalho e do estudo de processos e materiais alternativos, em conjunto com o empreiteiro.

O processo de construção, também apresentou alguns problemas. As fundações estão apoiadas em granito, no entanto, face à existência de cursos de água subterrâneos, grande parte da pedra está decomposta. Isto dificulta as investigações no local uma vez que as condições podem variar drasticamente de local para local. As condições do local ditaram a mudança de fundações em sapata para fundações em estaca.

No que se refere às especialidades, salienta-se a importância das Instalações Mecânicas, em que a geometria irregular do Edifício dificultava a tarefa de encontrar traçados de condutas de grandes dimensões compatíveis com os requisitos da Arquitectura e as necessidades da estrutura. As elevadas exigências de controlo acústico das diversas instalações e áreas técnicas determinaram a qualidade dos sistemas previstos.

Ficha técnica

Arquitecto: OMA – Rem Koolhaas
Custo: €49,879,789.00
Área: 14.000m²

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