Barragem Three Gorges – Sismos e desabamentos revelam perigo eminente

5 anos ago by in Obras emblemáticas
Three Gorges

O Público visitou a maior barragem do mundo e o veredicto foi alarmante: «Three Gorges, Desastre ecológico e social fora de controlo». Nas aldeias dos arredores de Badong não param os sismos, os desabamentos, as inundações, desde que começou a construção da barragem. Populações que já tinham sido desalojadas terão de se mudar outra vez!

Segundo a Academia Chinesa de Engenharia, em 2006, nos sete meses a seguir à subida de água no reservatório, houve 822 sismos. A construção da barragem terminou este Verão, depois de 20 anos de trabalhos.

Em Novembro do ano passado, o chão cedeu, à entrada de um túnel do caminho-de-ferro, na cidade de Badong. Três mil metros cúbicos de pedras e terra caíram sobre uma auto-estrada. Um autocarro ficou soterrado, matando os 30 passageiros. Em Miaohe, a terra por baixo de um conjunto de casas deslizou para uma fenda com 200 metros de profundidade, depois de o nível da água do reservatório ter sido baixado, para evitar as cheias de Verão. Os 99 camponeses tiveram de ser deslocados para um túnel na montanha, onde ficaram acampados durante três meses.

Em 2007, 48 pessoas morreram em consequência de desabamentos, na zona de Badong, segundo os jornais locais.

A construção da barragem fez nascer quilómetros de arquipélagos de lixo, que flutuam sem controlo. Segundo as previsões oficiais, a subida dos níveis de água iria resolver os velhos problemas de inundações na região, mas os ecologistas e populações locais queixam-se de que as inundações aumentaram nos últimos anos.

A barragem Three Gorges, a maior do mundo, é capaz de produzir 18,2 mil megawatts de energia eléctrica, o equivalente à capacidade de 18 centrais nucleares, e gera por ano 84 mil milhões de kilowatts-hora, ou seja, quase uma vez e meia do consumo total de Portugal, mas o impacto geológico é profundo.

Em Badong, o governo local prometeu criar sistemas de alarme para avisar em caso de derrocadas ou outros perigos. Noticiou também projectos para reforçar os terrenos nas imediações do rio, bem como outros para purificar as águas. Prometeu também criar um programa de compensações para os desalojados, que, segundo um relatório de peritos da região, se contarão por centenas de milhares de pessoas nos próximos anos.

Um outro relatório publicado pelo Governo admite que ainda não estão totalmente quantificados os problemas ecológicos provocados pela barragem.

“Há muitos perigos escondidos, ecológicos e ambientais, novos e antigos, relacionados com a barragem Three Gorges”, dizia o relatório. “Se medidas preventivas não forem tomadas, o projecto pode desembocar numa catástrofe.”

A China Three Gorges Project Corporation (CTGPC) é uma empresa estatal. Foi fundada em 1983, com o propósito de explorar os recursos hidro-energéticos do vale do rio Yangtse, mas com a ambição de se tornar um “conglomerado moderno, de nível mundial, com a sua principal área de negócio no desenvolvimento e operação de gigantescos recursos hidroeléctricos”. A CTGPC criou também uma empresa financeira, a Three Gorges Financial Company, e mais oito empresas-satélites, que operam nas áreas do turismo, consultoria de projectos, tecnologia energética, gestão de propriedades, etc, na China e noutros países, onde a empresa tem alargado os seus interesses.
Dos princípios da empresa, expostos nos textos do seu website, fazem parte ainda uma “perspectiva científica do desenvolvimento, que significa um desenvolvimento de uma forma harmoniosa e sustentável”. No ano passado, no âmbito da política de privatizações do Governo português, a China Three Gorges Project Corporation adquiriu 21,35% da EDP, a empresa de electricidade portuguesa, por 2,7 mil milhões de euros. Com este investimento, aliado à entrada da State Grid no capital da REN e a compra pela Sinopec de 30% da subsidiária da Galp para exploração petrolífera no Brasil, a China tornou-se no maior investidor estrangeiro em empresas portuguesas.

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